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"Sou uma Bruxa (palavra com muitos significados na linguagem comum) porque uso as energias da natureza e celebro seus ciclos. Meu convívio com estas forças é forte e harmonioso visto que busco nelas as energias para me nutrir e auxiliar a quem necessitar. Minha grande Catedral é o Cosmos e ali estão todas as crenças, religiões e doutrinas que preciso para a evolução da alma. Ali coloco meu coração e recebo as energias para ser feliz. Como Wicca, meu ritual é feito ao ar livre e tenho o Céu (Cosmos) como cobertura e ali referencio a grande Mãe que somada as energias masculinas do Deus Conífero, formam, a meu ver, o equilíbrio necessário entre as forças Yin e Yang"

Selo de Hécate

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segunda-feira, 11 de março de 2013

Bruxaria Tradicional e Wicca: Especulações





O tema deste post é algo que me vem incomodando um pouco desde que comecei a pesquisar sobre Bruxaria Tradicional e Wicca. Como todo bom estudante, é importantíssimo que se tenha o conhecimento de outras religiões, principalmente àquelas que nos fazem 'semelhantes'. Bom, depois de ter lido alguns materiais à respeito das diferenças entre ambas vertentes de Bruxaria, percebi que as afirmações em geral são as mesmas:

1 - A Bruxaria Tradicional se difere na Wicca por níveis hierárquicos;
2 - Na Wicca apenas duas tradições são realmente verdadeiras: Gardneriana e Alexandrina;
3 - A Wicca foca muito mais o lado feminino;
4 - Bruxaria Tradicional e Wicca vem de épocas diferentes, mas a Wicca com pouca coisa tem a ver com Bruxaria, tendo em vista que suas reais origens podem vir de maçons, hermetistas, rosascruzes e ocultistas; quanto que a Bruxaria Tradicional, vem de organizações familiares Tradicionais na Bruxaria;
5 - A Wicca é muito formal;
6 - Na Wicca é comum a busca e anseio pelo poder e títulos como "Suma Sacerdotiza" e "Sumo Sacerdote" podem vir em pouco tempo se comparado ao muito mais lento progresso de um "peregrino" na Bruxaria Tradicional.
E etc...

Em partes, até concordo com alguns pontos. Mas em outros, acho que alguns textos são extremistas e xagerados demais. Vide exemplo:

Bruxaria Neopagã, ou "Wicca", teve o seu início nos anos 40 e 50 com os escritos de Gerald B। Gardner। Apesar de afirmar que era membro de um coven "tradicional" que ele encontrou no sul da Inglaterra, faltamevidências da veracidade desta história। E se o "coven" que ele menciona era autêntico, então pela sua própria descrição eles parecem ter sido um grupo eclético de maçons, hermetistas, rosacruzes e ocultistas, não verdadeiras bruxas "tradicionais" । Os seus próprios registros das atividades e crenças/práticas do grupo testemunham isso। Não há dúvidas de que esta organização tinha tendências e ambições de "reviver" a Antiga Arte, mas isto os coloca na categoria de "pagãos reconstrucionistas" e não de "Bruxas Tradicionais" ।Wicca, no seu credo moderno e na sua estrutura ritual, lembra muito fortemente uma versão descristianizada da Ordem da Aurora Dourada (Golden Dawn), com muitas adições thelêmicas e teosóficas, assim como materiais obviamente emprestados de Aleister Crowley e da OTO। Todas essas fontes, e as personalidades envolvidas, floresceram na revivificação do ocultismo da primeira metade do século vinte e é do meio do século vinte que a Wicca data। A Wicca reivindica "descender espiritualmente" das antigas religiões pagãs, mas o fato é o de que a sua estrutura ritual e a sua teologia não sustentam quase nenhuma semelhança com nenhuma cultura nativa pagã autêntica da Europa. A Bruxaria Tradicional, por outro lado, refere-se às crenças e práticas de famílias e organizações secretas da Arte que antecedem o século vinte. Normalmente, apesar de a doutrina e as práticas da Bruxaria Tradicional terem raízes em tempos muito antigos, o tempo mais longínquo que a maior parte das organizações tradicionais podem se datar com alguma exatidão é o século 17. Entretanto, o folclore e a história do século 11 em diante testemunham práticas similares àquelas transmitidas hoje pelas bruxas tradicionais.
FORMALIDADE
A Wicca tem uma estrutura muito formal, baseada no modelo de "três graus" de iniciação, um empréstimo óbvio da Maçonaria. A religião wiccana é muito hierárquica, com deslumbrantes títulos de "Alto Sacerdote, Alta Sacerdotisa" e semelhantes e é normalmente orientado para o lado Feminino. Há apenas duas "tradições" reais de Wicca... A Gardneriana (a original) e a Alexandrina. ॥ Mas desde a explosão do interesse pelo oculto nos dois lados do Atlântico, muitas tradições "ecléticas" surgiram, representando quase todo tipo de distorção cultural e metafísica que você pode imaginar (Wicca Celta, Faery Wicca, Wicca Saxônia, Wicca Diânica etc. etc.) Na Bruxaria Tradicional, normalmente, não há uma "estrutura" de grupo claramente definida. Se há, é apenas limitada a uma região, e normalmente não é rígida como a Wicca. Título não são tão utilizados, e quando o são, eles ainda são informais, se comparados à ênfase da Wicca em títulos. Os grupos tradicionais da Arte podem ter uma liderança, mas esta pode tanto ser masculina quanto feminina, e o seu poder como "cabeça" de um grupo não é o poder exercido pela "Alta Sacerdotisa" e pelo "Alto Sacerdote" da Wicca. Conhecimento, experiência e a disposição de servir são fatores decisivos para a maior parte dos líderes de grupos tradicionais e não a egolatria, a coleção de títulos e a fome de poder.Os rituais e ritos da Wicca também tendem a ser muito formais e escritos previamente à mão... enquanto que na Bruxaria Tradicional, a maioria dos rituais são espontâneos e muito menos estruturados do que na Wicca. Há formas rituais, é claro, algumas formas até muito antigas, mas elas são muito parciais, muito abertas e simples. O "nível interno" do ritual tem mais ênfase do que o externo no trabalho tradicional. A idéia é a de que não é como você faz algo, mas sim, porque você o faz.Na Bruxaria Tradicional, o progresso de uma pessoa é MUITO mais lento do que na Wicca, na qual uma pessoa pode ser "um Alto Sacerdote de terceiro grau" no espaço que varia de alguns poucos meses a um ano ou dois, ou mesmo mais rápido se ele tem em mãos um livro publicado pela Lewellyn, que produz "bruxas instantâneas" . Viver a vida, aprendizado e experiência são cruciais para um "progresso" genuíno e "iniciações"de verdade são geralmente experiências que acontecem a um nível pessoal, dadas por poderes do outro mundo, através do tempo. A Bruxaria Tradicional aceita isso.

Bom, de fato, a Wicca foi CRIADA por Gardner e realmente pode ter tido influência de maçons, ocultistas, rosacruzes e etc, diferente da Bruxaria Tradicional. Mas o ponto forte da Wicca que eu acredito que deva ser levado em consideração é: será que mesmo assim a Wicca não deixa de ser uma religião nobre tanto quanto a outra? Será que em alguns pontos citados, não estamos falando de atitudes, diferente de fundamentos? Bem, vamos entender.
A Wicca foi uma religião criada em uma época moderna (fato), mas que ao meu ver, serviu para atender àqueles que buscavam uma vertente magista e pagã (mesmo com as peculiaridades que diferencia esta da outra), mas não tinham acesso à ela. Pois a Bruxaria Tradicional embora mais fiel, assim digamos, é bem mais restrita. Também há o fato de que para uma pessoa que vive em um centro urbano, que não consegue ter tanto contato com a natureza, poder ritualizar com o que dispõe, mesmo não estando em uma floresta, por exemplo. Creio que daí veio a quantidade de instrumentos e mais formalizade, já que se falta a natureza em sua plenitude, outras coisas precisam estar presentes como muitos cristais, ervas, flores, água, sal e afins... aliás, não poderíamos ritualizar apenas com o poder mental, sem nada que nos ligue à Mãe Terra. E por que não poderíamos amá-la mesmo estando à distância?

Também acredito que esta questão de hierarquia na Wicca é um tanto relativo. Os Wiccanos embora possuam os tais "títulos", em muito pouco o usam como grau hierárquico. A questão é que existem pessoas com graus de evolução diferenciandos se comparadas à outras. Mesmo que os nomes não existissem, a diferença é clara e óbvia. Como na Bruxaria Tradicional existem bruxos em diferentes níveis de evolução, a 'hierarquia' pode ser contida, mas está presente. Os wiccanos tratam todos por igual. Os tais 'títulos' são apenas um referencial, mas não é substancial (como em muitas outras religiões, que níveis de evolução implicam em poder de palavra dentro da comunidade). E é óbvio que alguns rituais, um aprendiz não tem possibilidade e preparamento suficiente para praticar. Daí vem a ordem dos Sumos Sacerdotes. Apenas isto.

Outra coisa que notei, foi as várias referências às tradições wiccanas, àquelas vindas posteriormente as 'originais', que posso ter interpretado de maneira errada, mas colocadas como inferiores ou invencionais às originais. Bom, como a própria definição diz, elas são apenas Tradições, ou seja, a essência é igual em todas, mas algumas características é que mudam. Por exemplo, na tradição gardneriana, alexandrina, é normal em um coven, os participantes estarem vestidos do céu, ou seja, nus. Por razões de princípios e afins, muitas pessoas não se sentem à vontade nesta condição, estando exposto desta maneira na frente de outras pessoas que não seja por familiares muito íntimos e/ou pelos seus respectivos consortes. Assim vieram outras tradições que fazem valer que a energia gerada pelo magista, se em grupo, não será afetada drasticamente se este estiver vestido.
Assim também como outras coisas, as tradições na verdade foram adequações de uma ou duas 'tradições originais' que servisse para àqueles que não concordavam ou não se ajustavam em seus princípios e valores, aquilo que as tradições pregavam. Mas a essência é exatamente a mesma, cultuar os Deuses e a Mãe Terra. Que falando em Deuses, os panteões são somente nomenclaturas. Mesmo que para certas regiões existam certos Deuses 'menores', estes Deuses 'menores' respondem a MESMA força maior. Mesmo que haja o erro de nomear vários Deuses no mesmo coven, certas tradições vieram para quebrar justamente isto (a Celta, por exemplo).

O que eu acho importante ter em mente, é que independente de fatos históricos, de fidelidade aos antigos, de ser neo ou não, é que as religiões (no caso Wicca e Bruxaria Tradicional), estão na sociedade para ajudar àqueles que querem se ligar à Mãe Terra, por questões de identificação, afinidade e poder pessoal. Como toda vertente religiosa, a Wicca possui àqueles desgarrados que profanam a religião, prometendo Bruxos Instantâneos, poderes excepcionais em curto espaço de tempo e etc. Mas que religião é puramente formada de pessoas bem intencionadas?
Muitos Wiccanos possuem a capacidade de dicernimento, em saber que para se tornar um Bruxo, leva anos. Não dois ou três, mas muitos anos. Que a evolução é pessoal e o objetivo não é uma iniciação e sim autoconhecimento e compreendimento da natureza que nos cerca. Que ela é uma extensão de nós e estamos todos ligados. A iniciação é só uma consequencia disto.

Sendo assim, não basta generalizar. Precisa-se ver os pormenores. Senão, os próprios Bruxos Tradicionais estão errados em marginalizar a Wicca. Porque para mim, qualquer forma de interesse e manisfestação de paganismo é válida - desde que o praticante faça aquilo com amor e acredita que aquilo é verdade. Muitas vezes não são fatos históricos, magia herdada e tradições que fazem um bruxo. É o amor pela natureza, pelos animais e pela vontade de se conhecer e reconhecer seu potencial mágico, que o torna um bruxo de verdade. A maneira como ele fará isso, com ou sem instrumentos, escrevendo previamente ou dizendo espontaneamente, não faz diferença se ele sabe o que quer e o que faz. Estes elementos não torna esta ou aquela vertente religiosa mais ou menos nobre e 'original'.


Aliás, nenhuma religião é 100% pura. Todas em algum momento histórico tiveram de sofrer algumas alterações, mesmo que datem de séculos atrás.

A escrita. Li várias vezes que os rituais wiccanos são escritos previamente quanto os da Bruxaria Tradicional são mais livres e espontâneos. Vejamos. Os wiccanos tem sim o hábito de escrever ritos, magias e textos. Ter os tais B.O.S (Book os Shadows). Mas é pelo simples fato de acreditarem que isto confere um poder especial àquilo e porque querem compatilhar o que aprendem, podendo passar aquele material ao seu filho, neto, consorte e etc.. e até pela simples questão da memória. Reconheço que existem pessoas que se preocupam com o fato de decorar, pronunciar as palavras certinhas sem comer uma vírgula do que foi escrito. Mas afirmo: a questão da espontaneidade também é muito importante, tanto que cada bruxo tem total liberdade de criar suas orações/preces, seus rituais, seus cânticos e etc. Aquilo serve somente como orientação e nada mais.
Aliás, a escrita é muito importante. Senão, como que os Bruxos Tradicionais poderiam pesquisar sobre seu passado com veracidade dos fatos e detalhes? Porque alguém escreveu e documentou isso, não se valendo somente da palavra oral.
O fato disto para os wiccanos ser aplicado à magia, não significa que estamos proliferando uma publicidade negativa. Muito pelo contrário, se a bruxaria como religião e em qualquer vertente que seja, esteja ganhando cada vez mais adéptos (mesmo que as vezes de maneira errada por falta de um mentor com boas intenções), é justamente pela divulgação de material. De mostrar para o bruxo que ele tem o poder daquilo que executa. Que ele não precisa estar tão vinculado à uma Instituição para fazer aquilo que gosta. Se por decisão ele quiser procurar um coven por uma iniciação formal, fica a critério dele. (Neste caso também concordo que auto-iniciações são até certo ponto questionáveis).

Lei Tríplice. A Lei Tríplice antes de mais nada, não é somente uma' Lei do Três'. De que tudo que você faz, pode voltar 3 vezes contra você. Não é só isto. A Lei Tríplice é como a Deusa se mostra a nós (e o Deus também), em suas três faces (para ambos). Muitas pessoas veem a Lei Tríplice apenas como algo negativo, uma prisão de valores e regras, mas é muito além disto. Se acreditamos nisso, não significa que estamos atrelados unicamente à isto. A limitação está na cabeça de cada um. Os wiccanos são livre sim. Lei é somente um nome perjorativo, mas não qualitativo, que fique bem claro.
Aliás, 'faça o que querem desde que não prejudique à ninguém, nem a si' é algo que os wiccanos seguem mais por moralidade e ética do que qualquer outra coisa. É egoísta demais achar que suas vontades são independentes da do outro. Se você faz o que quer apenas em sua individualidade, então é um egoísta. Pois como diz o velho ditado: 'o teu respeito termina, quando começa o do outro', independente das circunstâncias.
E o Karma é uma crença, mas pode não ser uma verdade absoluta. Cada um acredita naquilo que quer.

Bondade e Luz. Nós temos ciência que as trevas existem e isto basta sem mais explicações.

Festivais. Tradicional ou não é fato que nós não vivemos mais em uma época agrícola. Sendo assim, qualquer manifestação de festival, não é tão verdadeira. Não pela sua origem ou composição, mas sim por quem a pratica. Hemisfério Norte e Sul, para mim, é mais que suficiente. Sem mais.

Por fim, iniciações. Como toda religião iniciática, na Wicca existem as iniciações formais. Também existem aquelas praticadas pelo próprio magista. Bom, concordo e discordo desta situação. Concordo pois se o magista faz aquilo com amor e percebe sua evolução, não que ele seja iniciado formalmente, mas eu vejo a iniciação aqui, mais como uma firmação para os Deuses que, mesmo não estando inseridos nos reais mistérios, a partir dali, ele se dedicará sempre para os Deuses, muito mais forte que antes, em uma simples dedicação. Por isso se dizerem wiccanos.
Discordo porque quando um wiccano se auto-inicia, ele deve estar ciente de que esta iniciação é apenas parcial. Muitas informações e aprendizado, ele só terá em um coven bem estruturado, com alguém mais experiente lhe orientando.

Bom, talvez o grande problema de tudo seja os Bruxos Modernos se dizerem praticantes da Antiga Arte. Em algumas partes, pode até que seja assim. Não temos controle da história por completo. Possa ser mesmo que os Druidas ou os Celtas, tenham influenciado a Bruxaria Moderna. Que a Bruxaria Tradicional seguiu mais fielmente à eles (e aos demais povos europeus), quanto que a Wicca, criada por Gardner, teve acréscimos de outras religiões e ordens. Mas isso NÃO DEVE ser motivo de engradescimento ou de marginalização, pois o Bruxo que menospreza, não pode ser o mesmo Bruxo que diz que não se deve ter preconceitos ou que se deva respeitar outras religiões. Isso não é uma arena para ver quem ganha. São pessoas com ideiais diferentes, práticas um tanto diferentes, mas que buscam o mesmo ideal.

Como toda magia seja ela pagã ou não, deve ser vista de maneira positiva. Ao invés de se valer de fatos históricos, de antiguidade, de grandeza por organizações familiares antigas e etc etc, devemos pensar que em um mundo cada vez mais cruel, triste, de pessoas que matam por dinheiro, de pedófilos e estrupadores, drogados e prostitudas-crianças, temos pessoas que celebram estações do ano por vezes esquecidas, que olham para a Lua e contemplam sua beleza, que ficam feliz ao ver um pôr-do-Sol, que buscam cura em ervas (medicina natural) dentre muitas outras coisas. Isto é o que vale. E é isso que temos de ter em mente. Que mesmo depois de muita Inquisição, imposição de religiões, as práticas antigas (modificadas ou não), estão vindo cada vez mais à tona e as pessoas estão vendo o poder da Mãe Terra. E pode ter certeza que os Deuses (arquetipados ou não, porque são apenas nomes, mas são todos emanações de um mesmo Poder Maior) não se preocupam com as diferenças. Eles estão vendo a bondade no coração de cada um e é isso que vai engrandescer sua evolução espiritual.

Texto por: Amanda Carvalho

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