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"Sou uma Bruxa (palavra com muitos significados na linguagem comum) porque uso as energias da natureza e celebro seus ciclos. Meu convívio com estas forças é forte e harmonioso visto que busco nelas as energias para me nutrir e auxiliar a quem necessitar. Minha grande Catedral é o Cosmos e ali estão todas as crenças, religiões e doutrinas que preciso para a evolução da alma. Ali coloco meu coração e recebo as energias para ser feliz. Como Wicca, meu ritual é feito ao ar livre e tenho o Céu (Cosmos) como cobertura e ali referencio a grande Mãe que somada as energias masculinas do Deus Conífero, formam, a meu ver, o equilíbrio necessário entre as forças Yin e Yang"

Selo de Hécate

Selo de Hécate

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

DANÇAS DE PODER

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Todas as experiências xamanicas de iniciação implicam numa desautomatização da consciência corrente. Uma técnica xamânica pode ser qualquer coisa que rompa e desoriente o fluxo normal dos pensamentos, a vivência habitual das emoções e os processos fisiológicos comuns, e logo produz um novo modelo rítmico. Em todo mundo, as escolas esotéricas e espirituais, as sociedades secretas, as ordens de curandeiros e outras empregam essas técnicas.

A dança é uma maneira de reestruturar a consciência e desse modo, ingressar noutro mundo. Desafortunadamente, em nossa cultura, tem-se profanado, em grande parte, a dança e sua relação com estados alternativos de consciência é, no melhor dos casos, tão só rudimentar.

A dança invólucro a todo o corpo, o deixa a mercê do ritmo de uma canção e o som dos tambores. Estamos só nos começos do estudo dos alcances do ritmo musical no que se refere as ondas cerebrais e ao fazê-lo, de provocar um estado alterado de consciência. De todas as formas, o baile incessante interrompe o fluxo do pensamento discursivo que dá origem às idéias, recordações e sensações.

Os ritmos monótonos e os movimentos do baile sincronizam e harmonizam os fragmentos e associações de pensamentos confusos e desorganizados. Desta maneira assenta-se a consciência. Converte-se em um pote vazio sobre o que pode refletir objetos de percepção e elementos inconscientes e intuitivos da experiência que em geral está reprimindo, amontoados ou bloqueados por nosso caótico e incessante fluxo de pensamentos. A dança é uma das maneiras mais antigas e mais eficientes de produzir este tipo de claridade, esta purificação da consciência. Ao ver desta forma, o baile em transe pode estender-se como um método deliberado de treinamento que combinado a outro, guia o aprendiz xamânico a salvo até o reino das visões.

A dança assume um papel muito importante no treinamento xamânico.

As pessoas que entram em estados alterados de consciência estão impregnadas por algo, que pode ser chamado de "ritmo vital" uma espécie de vitalidade cósmica que até agora não foi objeto de uma investigação científica, e segundo muitos mitos e religiões se encontra na origem de todos os processos vitais.

As idéias e crenças da maior parte das culturas tribais baseiam-se na grande quantidade de energias e forças muito variadas que a visão do mundo apenas reconhece e admite. Aquele xamã que sente o poder do Criador fluir através dele é incompreensível.

No geral, o xamã recebe este poder criativo através de um meio determinado - o raio, um objeto de poder, uma visão, espíritos auxiliares, cristais, fenômenos luminosos, mas também através da canção e da dança.

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No xamanismo existe a "Dança do Animal". Os xamãs e praticantes podem deixar aflorar o poder do animal, através de uma dança, onde é permitido que os animais se expressem através de seus corpos, e de suas cordas vocais. Harner coloca que dançar para o animal é uma forma de mantê-lo satisfeito e assim fazer com que ele não pense em nos abandonar. Acrescenta ainda que assim como um homem deseja sentir a realidade não comum, o espírito guardião sente prazer entrando no corpo do ser humano. Segundo Mircea Eliade durante a iniciação xamânica, o futuro xamã deve conhecer a linguagem secreta dos espíritos animais.

Com freqüência a linguagem secreta tem sua origem na imitação dos gritos dos animais. Imitar a voz dos animais, utilizar sua linguagem secreta durante uma sessão, é uma ferramenta para o xamã circular livremente pelas zonas cósmicas.

Dançar o animal durante uma sessão é mais que uma possessão, na verdade é uma transformação mágica de um xamã no animal. Uma das outras formas usadas era a máscara

Os índios americanos acreditam que os animais foram os primeiros a caminhar pela terra, e que cada um tem sua medicina específica para ajudar o homem. Uma das formas nativas para invocar o animal é adornar-se com penas e peles, pintando seus rostos para lembrar o animal e movimentando-se como eles. Americanos nativos imitando animais em dança ritual estabelecem elos com o reino do espírito.

O animal também pode ser invocado, imitando igualando o seu comportamento. (Dança Animal) Dessa forma nos alinhamos com as suas energias, e chamamos o seu espírito até nós. Nós podemos agir como animais, fazer sons, convidando-os a trazerem seus poderes até nós.

Podemos rondar e urrar como um Leão, assim que invocamos o seu espírito. Podemos espalhar nossos braços e voar como uma Águia. Rastejar como uma serpente.

No xamanismo realizamos uma ritual, com tambor, para que os praticantes se conectem com seu animal, e também deixamos nosso animal aflorar através da “Dança do Animal”, uma outra forma de evocação, unificando o animal de poder com o dançarino . No xamanismo, os praticantes costumam, também ter as suas canções, para evocar o poder dos animais.

Dançar é uma forma poderosa de honrar seu animal. Desenvolva a mímica de seus movimentos. Guardando-o vivo dentro de sua imaginação. Você poderá um dia ver o seu animal no seu próprio rosto, sentir sensações físicas. Por exemplo: Quando está bem sintonizado com o coiote, poderá sentir seu nariz alongando como se fosse um focinho.

PODER DA DANÇA

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O iniciado não só baila na Terra. Em nossa realidade, entrando em transe ele baila em outro mundo, em outro estado de consciência. Nestas festividades, aprendem-se canções que o traz de volta a Terra, as canções expressam seu poder xamânico e mediante a elas se transporta novamente àquilo que experimentou na iniciação.

As danças e canções dos festivais são de uma ordem existencial diferente das canções e danças correntes. Aqui a própria vida se experimenta como uma exaltação eterna, como uma dança e um ritmo eterno, um som que ecoa sem cessar.

Para o iniciado a vida é uma melodia vibrante, sincronizada em harmonia. O xamã trabalha com este sentimento de compartilhar o ritmo da dança cósmica dos campos de energia que constituem a fonte, a matriz de toda a matéria.

Em essência, este processo de compartilhar é o que converte o xamã no que é. O baile , a canção e o movimento é igual ao ar. É uma maneira antiga de troca física e psíquica e de abrir a vivência para novos reinos de existência, mediante um processo de liberação. Apesar de tão antigos, são forças eficazes e aplicáveis para hoje.

Em nossa civilização, o baile e a canção ocupam um papel menor, não são feitos com êxtase. Carecem de uma intensidade e concentração para quem deseja explorar mundos profundos.

Segundo Alix de Montal :

A dança xamânica faz rebentar os vínculos da razão e do corpo. É uma dança de poder que organiza o espaço e ritma o tempo de modo que a alma, após o corpo, se ponha em movimento.

Dizer da dança sagrada que ela induz a uma alteração do estado de consciência implica uma evidência inexplicável. Quer se pense nos dervixes sufis, na dança de Shiva dos iogues, no Tchod Tibetano, na Dança dos Fantasmas dos Sioux e mesmo no delírio dionisíaco das bacantes da Grécia Antiga, todas constituem a expressão de uma sublimação. No pensamento arcaico, os movimentos rítmicos, o caminhar em círculo, a dança de roda eram uma réplica da abóbada circular do céu e do ciclo das existências. A dança assinalou a comunhão sagrada do homem com os demiurgos, a marcha para o ponto onde se junta o céu e a terra.
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A princípio, a dança xamânica é a revelação dolorosa do corpo, uma dança "a extracorpos: longe dos movimentos rituais e harmoniosos que se poderiam esperar, ela é "quebrada", convulsiva, como se cada um de seus movimentos não tivesse outra finalidade senão deslocar o corpo. O dançarino está totalmente imerso durante no instante, e pouco a pouco o ritmo que ele impõe torna-se irreversível e determinante. a vontade perde parcialmente o domínio dos membros e, no momento em que a dança poderia existir tão somente por ela mesma, o corpo se esquece e desaparece.

Essa dança corresponde à definição dos "espasmos clônicos", isto é, violentos estados de contração e descontração dos músculos que podem vergar o corpo e jogá-lo brutalmente ao chão. Em transe, o xamã pode ainda ver e saber o que se passa à sua volta, mas seu corpo inerte está desprovido de sensações.

Só o tambor continua a ressoar, para levar ainda mais longe um viajante pelo qual ninguém mais responde. e, é então que tem início o grande momento religioso da sessão.

Prosseguindo com Alix de Montal :

"Quem sabe a dança, vive em Deus", dizia o grande poeta sufista Rumi. Para a dança, parece não haver outra receita senão a de ver : a dança extática só leva em conta a idade do xamã no tocante ao peso de sua roupa : ela tem um caráter espontâneo, individual, livre de qualquer coreografia premeditada, e assemelha-se mais a um "não fazer" do corpo do que a um balé artístico.

Dançando, o xamã esgota sua resistência muscular e nervosa até que, não comandando mais nada, o espírito se liberta do corpo. É provável que alguns movimentos violentos e as contorções que cortam a respiração acelerem a oscilação numa outra forma de atenção. Por diversas vezes, Castañeda recebe de Dom Juan um golpe, dado com o lado da mão, entre os omoplatas : e de cada vez esse choque doloroso modifica-lhe instantaneamente a visão do mundo. Não se trata aqui de um verdadeiro transe, mas antes uma experiência de destruição da realidade muito semelhante àquela provocada por enteógenos.

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Entre as faculdades "fora do comum" dos xamãs, mencionamos sua memória : sua capacidade de memorizar perfeitamente não apenas o que pertence à consciência ordinária mas também suas experiências extáticas. essa memória extra-sensorial poderia permitir-lhe recriar a cada vez as condições do transe e seus sintomas, por uma espécie de condicionamento de estimulação física. Nesse caso quanto mais freqüente fosse a experiência de estado alterado de consciência, mais ela se revelaria familiar e necessária. Algo como imagens - ou melhor, sensações - percebidas sobre efeitos de enteógenos pode ressurgir depois na realidade ordinária e impor-se à consciência, mas de maneira incontrolada.

Desencadear à vontade o transe extático, a grande viagem da alma, é muito mais simples de dizer do que conceber...salvo se o entendermos como a superação total do si mesmo e se virmos na dança o meio de "varrer a ilha do tonal ". Pode-se, enfim, imaginar a dança como descrevendo a vida do guerreiro, cujo movimento é um poder suplementar adquirido sobre o mundo. Se o guerreiro dança realmente bem, ele pode reter a morte por um breve momento. Vejam abaixo trechos que Dom Juan falou para Castañeda em A Viagem à Ixtlan :

"Cada guerreiro possui uma forma especial, uma posição particular de poder, que ele desenvolveu através de sua vida. É uma espécie de dança, um movimento que ele realizou sob a influência do poder. Se um guerreiro agonizante tem poder limitado, sua dança é curta, mas aquele que tem um poder considerável executa uma dança magnífica. pouco importa, contudo, que ela seja curta ou grandiosa : a morte tem de parar para assistir ao espetáculo da última dança do guerreiro. A morte não pode arrebatar um guerreiro que recapitula pela última vez os fatos de sua vida enquanto ele não tiver terminado sua dança. ...Assim, você vai dançar sua morte sobre esta colina no fim do dia. E no curso da sua última dança vai contar seu combate, as batalhas que você ganhou e aquelas que perdeu; vai falar de suas alegrias e de seu pasmo quando encontrou o poder pessoal. Sua dança há de expressar os segredos e as maravilhas que você armazenou. E aqui sentada, a morte ficará assistindo. O pôr-do-sol há de iluminar você sem queimá-lo, tal como fêz hoje. O vento há de ser suave e brando, e sua colina estremecerá. Quando você acabar sua dança, olhará para o sol, pois nunca mais, desperto ou sonhando, há de revê-lo. E então sua morte mostrará o sul, a imensidão."

DANÇAS E MÁSCARAS

Por Rosane Volpatto
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O indígena compreendia a ordem das coisas a partir das transformações que lhe eram ensinadas pela mitologia. Esta descreve as mudanças ocorrida na Era Primitiva e as proezas sobrenaturais que moldaram o mundo tal qual ele é hoje. Ela nos aponta também os Seres Superiores, protagonistas das mudanças do mundo primitivo para o hodierno, alguns dos quais são poderosos e se encontram ativos no momento presente.

Estabelece-se a ligação com estes seres mediante a lembrança, a meditação e os ritos. Toda a comunicação deste saber, acaba se constituindo em um portal do tempo que une a Era Sagrada Primitiva com a Atualidade. Sendo assim, o ato de contar histórias, constitui um ato de culto. Mas para contar as histórias, o índio reputa indispensavelmente um ambiente de respeito. A respeitosa tradição dos ancestrais só pode ser transmitida em atitude de profunda contemplação, através de ritos e cerimoniais. Através destes, o indígena inseri na sua própria vida elementos naturais e sobrenaturais.

Portanto, tais eventos encerram o patrimônio religioso do indígena, simbolizam através de representações dramáticas, a evolução da ordem do mundo, do qual nos fala a mitologia.

DANÇA DOS MACACOS ENTRE OS CAIAPÓS (CARNAVAL INDÍGENA)

Com naturalidade, o sagrado, o transcendente, o seu patrimônio de fé, integram o dia-a-dia do indígena, fazem parte das "coisas de índio" e estão presentes em seus rituais e expressados em suas danças sagradas.

A festividade da Dança dos Macacos reúnem todas estas qualidades além de ser um palco de pura diversão, um verdadeiro carnaval indígena Para o evento eram confeccionadas máscaras de animais tais como: macaco, tamanduá, bugio e jaguar. Elas se denominavam de "karon", ou seja, alma e espírito.

A máscara do macaco é larga, retangular, de palha, enfiada na cabeça, que torna quem a veste irreconhecível, deixando apenas duas aberturas para olhar para fora. Nos cantos superiores dela há duas borlas pintadas de vermelho com urucum, imitando orelhas. Em torno dos olhos havia grandes anéis pretos e vermelhos. O corpo ficava envolto em um manto de palha.

As máscaras de rosto, possuíam formato retangular, na parte de cima e oval, na de baixo, e eram pintadas com listras pretas e brancas. Seu manto de palha é preso por uma espécie de cinto.

A máscara do tamanduá, em forma de colméia, se alarga para baixo e envolve todo o corpo. Por cima da cabeça, o cone de palha apresenta um prolongamento, imitando uma tromba, do qual, presa por um fio é colocada uma pena vermelha, que representa a língua.

No centro da roda, os macacos dançavam e os tamanduás executavam movimentos grotescos, pulos e reverências.

Em determinada altura da festividade aparecia dois vultos, totalmente cobertos da cabeça aos pés, usando máscaras ovais no rosto, representando os peixes. Sua aparição em cena é quase em câmara lenta, a passos quase imperceptíveis. Em seguida ficam imóveis, fora da roda dos macacos, para em dado momento se retirarem. Sua entrada triunfal mas rápida é para recordar que foram os peixes que ensinaram os índios a arte da dança.

Os macacos dançam entre as malocas, executando movimentos diversos, mendigam de porta em porta e depois levam tudo que arrecadaram para a "Casa dos Homens", onde encerram o cerimonial com um grande banquete.

Esta é uma festa com a participação tanto masculina como feminina, celebrada nos meses de abril e maio.

Entre os Tariana (alto Amazonas), tribos que habitam as proximidades do rio Caiari, encontramos as célebres "maracarua", ou seja pele de macaco. São máscaras em feitio dominó, feitas pela união de várias peles de macaco e cosidas com cabelos de mulher. Ao contrário das grandes máscaras que acabavam queimadas no final das cerimônias para propiciar boas colheitas e apaziguar espíritos, estas máscaras só apareciam nas festas invocatórias de Iurupari. Supõem-se que cada tribo só possuía dois a três exemplares, escondidas durante o intervalo entre as grandes festas, juntamente com as flautas sagradas. As máscaras, nestes casos, eram usadas como um instrumento de posse, isto é, destinavam-se a captar a força de um animal. Elas transformavam o corpo do guerreiro que conservava a sua individualidade e, servindo-se delas como um ser vivo, incorpora um outro ser, o animal mítico no momento representado e cujo o poder é mobilizado.

A máscara é um dos meios de se conduzir o sagrado ao êxtase, em função de reter em si o deus ou o seu espírito. A máscara é a mediadora entre duas forças: o cativo e o captor. É a relação entre estes dois termos, que variam caso a caso, assim como sua interpretação difere de tribo para tribo

A FESTA DE ARUANÃ (INICIAÇÃO CARAJÁ)

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O jovem carajá ao entrar na puberdade passava a viver na Casa das Máscaras. Nesta casa ele aprendia a arte plumária e os segredos masculinos que convergem para os ritos de fertilidade. A Festa de Aruanã é uma das mais empolgantes e belas do calendário mágico religioso dos carajás. É realizada por ocasião do aparecimento da grandiosa Lua Cheia e é um festival que se prolongava pela noite toda.

Na Casa das Máscaras, estão disponíveis os adornos necessários para a dança: camisa de fibra de coqueiro, um saiote de fibras soltas e as máscaras enfeitadas com penas de arara. Desta casa, os índios dirigiam-se para a praça da aldeia, aos pares, dançando e rememorando os ritos de todos os feitos heróicos amorosos e dramáticos do povo carajá.

Nos rituais de iniciação, a máscara assume um significado um pouco diverso. O jovem guerreiro iniciado encarna o Grande Espírito que instrui os homens. As danças mascaradas insuflam no adolescente a persuasão de que ele "morre"na condição anterior para renascer na sua condição de adulto.

Os índios carajás viveram à margem direita do rio Araguaia e formaram um grupo de 7 a 8 mil indivíduos, que viviam em 80 aldeias. Os carajás existentes hoje, em torno de 70 apenas, que ganham a vida como comerciantes.

VARIAÇÕES DAS MÁSCARAS

As máscaras das danças sagradas, apresentam variações notáveis. Os Tucanos e Aruaques as confeccionam de pano, do vegetal tepa. É uma máscara que cobre todo o corpo.

Existem também, máscaras feitas de entre-cascas de árvores, que constituem uma só peça, complementadas por um saiote de fibra, que cobrem os dançarinos da cabeça aos pés. Geralmente elas impõe uma fisionomia assustadora e não possuem orifícios para os olhos, já que é possível enxergar entre as fibras.

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As máscaras costumam ser pintadas de preto, vermelho e amarelo. As tintas eram reparadas com a fuligem do fundo das panelas, extrato de urucum ou carajuru, duas frutas do mato e argila terrosa. Em média estas máscaras levavam de 10 a 12 dias para serem preparadas.

As máscaras, se revestem de poderes mágicos, protegendo aqueles que a usam e podem também ser deliberadamente assustadoras, ajudando alguns membros de uma sociedade a impor sua vontade. Neste caso, a máscara visa dominar e controlar o mundo invisível. Os etnólogos já associam a utilização da máscara aos métodos práticos de acesso à vida mítica.

As máscaras sempre são usadas como agentes ritualísticas de transformação. Os xamãs foram os primeiros conhecedores desta realidade interna. Os ritos e cerimoniais que desempenham com maestria são úteis não tão somente por influenciar a natureza, mas também por que curam enfermidades.

As máscaras fazem renascer mitos e preenchem uma função social. Nas cerimônias são cosmogonias que regeneram o tempo e o espaço."Elas subtraem o homem e os valores de que ele é depositário e toca todas as coisas no tempo histórico. São ainda, espetáculos catárticos, durante os quais o homem toma consciência do seu lugar no universo e vê sua vida e morte circunscrita num drama coletivo que lhes dá sentido."

As máscaras despertam os níveis mais profundos do nosso interior, fazendo florescer a imaginação e a espiritualidade humana. Ela oculta o que sempre mostramos e revela o que habitualmente ocultamos.

As máscaras servem para abrir as portas para uma outra realidade. Para compreendermos o presente, devemos buscar a visão de nossos antepassados e para poder dimensionar nosso futuro, temos que ver através dos olhos das máscaras.

O seu uso é uma das formas que nos faz compreender a realidade espiritual subjacente à ordem e os mandatos do mundo.

Amor, Paz e Luz!

Rosane Volpatto

Bibliografia consultada

As Amazonas - Fernando G. Sampaio

A Organização Social dos Tupinambás - Florestan Fernandes

índios do Brasil - Lima Figueiredo

Brasil - Editora Três

Indiologia - Angyone Costa

Xingu - Orlando e Cláudio Villas Boas

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