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"Sou uma Bruxa (palavra com muitos significados na linguagem comum) porque uso as energias da natureza e celebro seus ciclos. Meu convívio com estas forças é forte e harmonioso visto que busco nelas as energias para me nutrir e auxiliar a quem necessitar. Minha grande Catedral é o Cosmos e ali estão todas as crenças, religiões e doutrinas que preciso para a evolução da alma. Ali coloco meu coração e recebo as energias para ser feliz. Como Wicca, meu ritual é feito ao ar livre e tenho o Céu (Cosmos) como cobertura e ali referencio a grande Mãe que somada as energias masculinas do Deus Conífero, formam, a meu ver, o equilíbrio necessário entre as forças Yin e Yang"

Selo de Hécate

Selo de Hécate

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pictos, o povo das fadas.





As Ilhas Britânicas são conhecidas como o palco onde inúmeras civilizações antigas deixaram seus vestígios. Povos vinham e permaneciam ali durante séculos, e depois eram conquistados por novos invasores e rapidamente desapareciam, ou eram empurrados para as regiões montanhosas mais remotas das Ilhas.

Stonehenge e construções semelhantes na Inglaterra, as pedras esculpidas da Escócia, as inscrições ogâmicas da Escócia e Irlanda, são monumentos legados por povos pré-indo-europeus, que conseguiram deixar seus traços visíveis ainda hoje, após milênios de guerras, invasões, catástrofes e mudanças. Não se sabe a origem dos pictos, uma nação que viveu do primeiro milênio a.C. ao século IX d.C., na Escócia. Quando os celtas foram para as Ilhas Britânicas nos séculos VII e VI a.C., os pictos já habitavam as terras ao norte de Edinburgh, e quando os romanos invadiram a Grã-Bretanha no século I a.C. e rumaram para a Escócia no século seguinte, eles ainda estavam lá ocupando as mesmas terras.

Diferentes autores, desde os tempos mais antigos até os dias atuais, apresentam diferentes versões sobre a região exata de onde teriam vindo os pictos para a Grã-Bretanha nos tempos pré-históricos. As fontes arqueológicas indicam que sua chagada à Grã-Bretanha ocorreu por volta do ano 1000 a.C. vindos do Continente Europeu e em seguida no ano 200 a.C. da Escócia para a Irlanda. Porém a verdadeira terra natal dos pictos na Europa Continental é desconhecida, o que nos leva a diferentes interpretações. Autores medievais sustentavam a versão de que os pictos não eram celtas, porém uma raça pré-céltica procedente da Cítia (antiga região do NE da Europa, situada entre os rios Danúbio e Don, e ao N do Mar Negro).

No século XIX, alguns pesquisadores tentaram provar que o berço dos pictos é a Espanha, antiga Ibéria de onde os ibero-britânicos, supostamente os criadores de Stonehenge, teriam saído. A fonte dessa versão foi um autor romano que descreveu os pictos no início de século IV da era Cristã como o povo muito semelhante aos iberos a quem Roma combateu na Hispânia.

A mais antiga referência aos pictos de que se tem notícia encontra-se num documento latino de 297 d.C., redigido por Eumenius, quando, juntamente com os hiberni, foram caracterizados como inimigos dos brittani.

Fontes posteriores substituem hiberni por scotti, daí os termos familiares picts e scots. Estes eram certamente irlandeses, porém quem eram os pictos? A origem do termo pictos é problemática. O termo latino pictī, como já salientamos, significa “pintados” ou “tatuados” e assim deveria ser entendido por aqueles que sabiam o latim. Fica, porém, a dúvida, se o termo pictī era de fato o epíteto que parece ser, ou se seria uma corruptela de um nome genuíno dos pictos desconhecido para nós. Sabe-se, porém, que em referência a todos os habitantes do norte de Clyde e Forth, o termo picti abrange dois povos distintos, um céltico e outro não-céltico.

O componente céltico compreendia a população que se fixou mais densamente, talvez no primeiro século a.C., na Baixa Escócia e ao longo do litoral ocidental além de Forth; o idioma céltico britânico dessa população pode ser reclassificado como céltico picto.

O componente não-céltco pode ser equiparado com os habitantes tradicionais da região montanhosa da Escócia cujo território já era conhecido de Agrícola, no século I a.C. como Caledônia (antigo nome da Escócia). Numa conotação lingüística, o termo picto se refere somente à língua desse componente.

Por volta de meados do século V, os scots de Ulster começaram a despojar os pictos de seu patrimônio em Argyl, onde estabeleceram seu próprio reino de Dal eoganachta riada. No século seguinte, entretanto, os pictos emergem como uma força poderosa, ao que parece, sob o comando de um único rei.

Esse reino ficou conhecido como Pictland (“Terra dos pictos”). A linha Forth-Clyde formou a fronteira com seus vizinhos ao sul, os anglos de Northumbria e os Britânicos de Strathclyde. Já no oeste, a posição parece ter sido menos estável, os scots estendem seu domínio para o norte ao longo da costa e entre as ilhas.
As relações entre celtas e não-celtas no território de Pictland são ainda pouco compreendidas.

Nomes célticos britânicos são comumente usados por pictos notáveis, o que implica pelo menos acentuada influência céltica britânica, ou até mesmo inequívoca superioridade. É o que se poderia esperar com certeza na primeira fase de contato quando os celtas que utilizavam o ferro se estabeleceram na região que ainda estava na Idade do Bronze. Não está, porém, claro como as coisas se desenvolveram subseqüentemente. Há evidência de que a língua dos reis de Pictland não era céltica. Bede em sua obra Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum (“História Eclesiástica do Povo Inglês”), publicada em 731, declara que havia cinco línguas em uso na Grâ-Bretanha: o latim (a língua oficial da Igreja) e as línguas dos Bretti (britânico), Scotti (gaélico), Picti (picto) e Angli (inglês).

De seu mosteiro em Jarrow, Bede estava em condições favoráveis de possuir informações de primeira mão sobre tais assuntos. Os territórios vizinhos de Northumbria ao norte e noroeste eram respectivamente Pictland (falante do britânico) e Strathclyde. Em outra parte de sua obra, Bede descreve uma embaixada de Northumbria ao rei dos pictos Naiton e relata que uma carta trazida pelos emissários foi primeiramente traduzida para o picto. Se a língua do rei tivesse sido céltica, Bede a teria certamente chamado britânico, pois o celta de Pictland era um simples dialeto daquele idioma, para todos os efeitos, idêntico ao de Strathclyde com o qual estava possivelmente em contato.

Pode-se notar também que as formas dos nomes célticos britânicos usados pelos pictos revelam mudanças comparáveis às que ocorreram alhures, no céltico britânico, notavelmente a perda das terminações flexivas. Esse fato indica uma continuação local do céltico durante o período do reino histórico picto. Não obstante, tem-se a impressão de que foi o picto, não o céltico, que estava em ascendência durante essa última fase.
Durante sua existência, o reino de Pictland parece ter sido subjugado à influência escocesa que emanava de Argyll. Em 565, o Cristianismo foi introduzido pelo missionário irlandês Columba (521-597). A supremacia cultural de Argyll explica por que muitos nomes pictos são gaélicos ou pelo menos gaelicizados.

Porém não há evidência de que a língua dos pictos tenha sido seriamente ameaçada até o início do século IX. Foi nessa época que os assentamentos dos nórdicos em Shetland, Orkney, nas ilhas Hébridas, e em Sutherland e Caithness contribuíram para o desaparecimento do picto naquelas áreas. Os invasores vikings abalaram a estabilidade do estado picto, criando um vácuo de força para o qual os homens de Argyll conseguiram se deslocar. Em 843, sob a liderança de Cináed mac Ailpín (anglicizado Kenneth mac Alpin), Argyll e Pictland se unificaram formando um reino escocês sediado em Scone. A conseqüência lingüística dessa mudança política foi o triunfo do gaélico à custa do picto e do céltico picto. A história silencia a respeito dos pictos durante os dois séculos que se seguem.

O que se pode conjeturar é que a língua dos pictos provavelmente tornou-se moribunda dentro de duas ou três gerações após aquele episódio, e que o ano 1000 teria sido o marco final de seu desaparecimento.

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